Uma tarde com Wando

Em 2001 passei uma tarde com Wando na cobertura onde ele morava na Barra, no Rio de Janeiro. Trabalhava na época para um site de notícias (hoje extinto) chamado NO. Na redação, onde ficavam jornalistas renomeados, como Ancelmo Gois, Arthur Dapieve e Marcos Sá Correa, a minha visita virou motivo de piada. Ainda mais quando voltei contando que tinha pedido para ver a famosa coleção de calcinhas e o quarto dele – sempre acompanhada do fotógrafo, é bom lembrar. As peças íntimas das fãs, infelizmente, estavam no sítio do cantor, mas o quarto tinha, sim, cama redonda com bichinhos de pelúcia em cima dela e espelho no teto.

Você pode achar Wando brega, feio, sem noção. Mas quem nunca cantarolou “Meu iaiá/ Meu ioiô”, refrão de “Fogo e paixão”?

Veja íntegra publicada no site:

 

Wando está lançando novo disco. “Fêmeas” reúne 14 músicas sobre homens irresistíveis e traídos, mulheres fogosas e todos esses assuntos que o cantor adora. Há 30 anos, Wando vive do que canta e compõe. Os números são impressionantes: 10 milhões de discos vendidos e pelo menos 50 sucessos. Ele também é conhecido pela fama de conquistador incurável. Em entrevista exclusiva a repórter Roberta Salomone revelou que já tomou Viagra, transou com fã e que é, sim, muito vaidoso.

ROBERTA SALOMONE – Você pensa em sexo 24 horas por dia?

WANDO – Não, claro que não. É uma burrice achar que penso em sexo 24 horas por dia. Tem dias até que passo o dia todo sem pensar nisso. As pessoas é que associam muito a minha imagem ao sexo. Sempre querem falar e me perguntar sobre o assunto.

RS – Você já tomou Viagra?

W – Eu tomei uma vez só e foi por curiosidade. O Viagra é pra quem tem problemas sexuais. Esses garotos de 20 anos que andam tomando por aí são loucos. Eles provavelmente estão pensando em quantidade, mas eu digo: não é isso que vai fazer uma mulher feliz.

RS – E o que é que você acha que deixa uma mulher feliz na hora H?

W – Em primeiro lugar, um homem que resolva o seu problema e que a faça sentir o que ela nunca sentiu antes. Também não pode ser apressado. O cara coelho não está com nada. Elas odeiam. Outra coisa importante é não forçar a barra nunca. Amor a gente tem que fazer só quando tem vontade.

RS – Você já foi traído?

W – As pessoas odeiam admitir isso, mas eu não tenho porque mentir. Já fui traído várias vezes.

RS – E quem trai mais, o homem ou a mulher?

W – Os homens, sem dúvida. As mulheres pensam muito mais antes de fazer alguma coisa. Mas quando resolvem, costumam arquitetar a traição muito melhor.

RS – Você é fiel?

W – Se eu estiver morrendo de amor por uma pessoa, pode ter certeza: ninguém me tem. Mas se não estiver, sou um perigo (risos).

RS – A história que você conta na música “Amiga da minha mulher” é verdade então?

W – Essa é uma história que acontece com a maioria dos homens que namoram ou são casados. O problema é que dificilmente as pessoas falam sobre esse assunto. Toda mulher tem uma amiga interessante e, quando pinta um hormônio diferente na sua frente, não tem jeito, você começa a criar várias fantasias na cabeça.

RS – O que a sua mulher pensa disso? Ela não é ciumenta?

W – Ah, comigo não dá nem pra ser. Se ela for morrer de ciúmes, ela vai morrer mesmo. Estou sempre cercado de mulheres, tenho muitas fãs. Ela tem que respeitar isso.

RS – Na música “Forrozinho de amor”, você fala sobre um romance virtual. Você já teve essa experiência?

W – Não, mas pelo telefone já. Foi um terror. Ela era muito feia. Depois dessa, aprendi que quando pintam esses interesses telefônicos, a gente tem que falar que vai de blusa branca e ir de preta. Se não gostar, tem como fugir.

RS – E da onde surgiu “Nossa Senhora das Fêmeas?”

W – Há cinco anos tenho pensado em escrever uma oração para as mulheres, mas não achava um caminho. Aí me lembrei que minha mãe comentava muito com as amigas sobre uma tal da Nossa Senhora das Fêmeas. Era uma brincadeira dela, mas acabou servindo de inspiração pra mim. Nessa música, falo das coisas que mais atormentam uma mulher hoje em dia: os homens cheios de maldade, celulite, TPM, falsas amigas, o furo da camisinha…

RS – Você é vaidoso?

W – Sou. Eu acho, por exemplo, que todo homem tem que ser cheiroso. Homem como chulé e fedor debaixo do braço, não dá, é um horror. Como eu tenho a pele ressecada, passo um oleozinho no corpo depois do banho. Todo homem tem que usar, aliás, vários cremes. Quando tenho tempo, faço aeróbica e musculação. E gosto de me vestir bem.

RS – Como você está se saindo no papel de avô?

W – Eu ainda não me acostumei com essa idéia, não. A ficha não quer cair. A Camila já tem um ano, mas eu fico doido para que ela me chama de titio (risos).

RS – E a sua coleção de calcinhas?

W – Estão no meu sítio. Há um tempo atrás, contei. Eram mais de 3.000 peças. De tudo que é tipo, cor, com sabores, telefones, recados…

RS – Você nunca transou com nenhuma fã?

W – Se eu te disser isso, vou estar mentindo. Sempre rola um clima e quando é dos dois lados, aí não tem jeito. Mas fã é fã. Elas sonham em ter o cara que está em cima do palco de qualquer jeito e algumas são descontroladas. Mas não é porque sou o Wando que vou sair por aí transando com todo o mundo. Não mesmo.

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