Trinta minutos antes do horário marcado, os músicos da New Orleans Jazz Band já estão no minúsculo palco do Café Carlyle afinando seus instrumentos. A platéia, de não mais do que 90 pessoas, termina apressadamente o jantar. Todos esperam Woody Allen, que hoje sobe ao palco não para apresentar nenhum filme novo, mas sim para tocar.
O ator e diretor americano é clarinetista desde criança e já lançou dois discos com a banda de jazz. Em Nova York, onde mora, costuma se apresentar em longas temporadas, sempre às segundas. A sua chegada nunca é anunciada. Com a cabeça baixa, ele entra pela porta dos fundos e se dirige até a única mesa vazia. Senta e, enquanto troca meia dúzia de palavras em tom de sussurro com o amigo que o acompanha, abre uma pequena mala, de onde tira seu clarinete.
Durante o show, Allen dificilmente sorri. Altera momentos de total concentração com outros de quase êxito. Balbucia trechos das canções e faz curtos comentários com os companheiros de banda (confira a performance nos vídeos abaixo). A cada novo movimento, flashes são disparados. Para a maioria dos que pagaram no mínimo US$ 100 – cerca de R$ 158 – para estar ali, a música é apenas um meio para estar perto de Woody Allen.
Depois de uma hora e meia de show e muitos aplausos, o cineasta desce do palco, passa no meio do público (sempre com os olhos mirando o chão), e sai pelo mesmo lugar que entrou. Pelo menos dez pessoas levantam e o seguem pedindo fotos e autógrafos. Ele atende alguns e agradece os elogios. “Woody, I love you”, diz uma mulher, tentando uma aproximação maior. Um segurança entra em cena e Allen, impassível, continua caminhando lentamente até a saída, onde um carro já o espera para levá-lo para casa. O show da semana passada foi o último dessa temporada, mas outros virão em breve.
Veja vídeos de Woody Allen tocando no Link Nova York.
